Duas garotas revelam seus delírios de consumo

A história se repete. Chega a nova estação e as lojas ficam recheadas de modelitos divinos que você PRECISA ter. Afinal, as roupas do seu armário já são da estação passada e as suas amigas vão estar poderosas. E você precisa estar também, é claro! Mas as compras têm um preço às vezes alto demais, e que dinheiro nenhum vai poder compensar depois.

A psicóloga Celina, de 23 anos, pode ser considerada uma compradora compulsiva. Sua coleção de mais de 50 bolsas é de dar inveja. Ela até recebe a revista da Daslu em casa. “Mas só compro lá quando tem liquidação, porque é muito caro”, garante. Na loja, ela comprou uma jaqueta que custou R$ 470 – estava na promoção; antes custava R$ 940. Os itens preferidos dela são bolsas e sapatos, porque se ela engordar ou emagrecer, não perde o produto. O item mais caro que já comprou? Uma joia de R$ 2.500.

“Me considero uma consumista responsável e tento não ser fútil. Controlo meus gastos em uma planilha do Excel, e sou eu quem pago o IPVA do meu carro. Então eu sei que não posso me descontrolar”, diz ela, que acredita que o consumismo esteja ligado à carência. “Percebo que compro mais quando estou triste. Quando estou bem comigo mesma, prefiro guardar o dinheiro para viagens”.

A designer Mariana, de 23 anos, segue quase o mesmo rumo. Ela gosta tanto de gastar que o nome do seu blog é Shopaholic [em inglês, viciada em compras]. Ela tirou a palavra do livro Confessions of a Shopaholic, que no Brasil recebeu o nome de Delírios de Consumo de Becky Bloom. O livro foi adaptado para as telonas e está em cartaz nos cinemas. Becky está cheia de dívidas, mas precisa comprar uma echarpe verde, carésima. Mariana também tem essa sensação de precisar ter uma coisa que viu na vitrine.

Ela nunca deixou de pagar as contas para adquirir um produto, mas quando quer uma coisinha especial, economiza nas outras áreas. E começou cedo: chegou a gastar R$ 300 em uma calça aos 14 anos. Nunca se arrependeu de nada do que comprou, mesmo tendo uma coleção de quase cem pares de sapatos. “Sou bastante consumista, adoro fazer compras, ver novidades e ajudar as amigas, mas controlo bem meu dinheiro. Essa é a maior diferença entre eu e a Becky. De resto, somos idênticas!”

_consumismo saudável?
Uma coisa é precisar comprar roupas, afinal todo mundo precisa se vestir! Mas até que ponto o consumo é considerado saudável? De acordo com a psicanalista e filósofa Samanta Obadia, as mulheres estão mais vulneráveis ao consumismo, porque todo mês sofrem baixa de hormônios, o que acarreta maior instabilidade emocional, o que pode levar ao consumo desenfreado. “A mulher coloca-se mais frágil diante da mídia”, diz. Aí não há limite de cartão de crédito que segure!

Ainda de acordo com a psicanalista, as pessoas costumam consumir mais para suprir uma insatisfação que sentem diante da falta de sentido de vida. Elas preenchem-se de objetos a fim de iludirem seus sentidos, provocando assim a falsa sensação de completude. Nesses casos, o tratamento mais indicado é a terapia discursiva [psicanálise] associada à psiquiatria [tratando a compulsão].

O primeiro passo é aceitar o fato de que existe um problema. Será que você precisa mesmo de mais uma bolsa? Às vezes, são das coisas simples da vida que a gente precisa. E de vez em quando, de um sapato novo, que ninguém é de ferro! Afinal, sentir-se bonita é, sim, uma necessidade.

Matéria publicada na Revista Paradoxo


Circulação diminui com o advento da internet. Verba publicitária não é suficiente para cobrir as dívidas.

Durante mais de dois séculos, os jornais impressos foram a principal fonte de informação da população. Há apenas duas décadas, a circulação de jornais nos Estados Unidos era de 62 milhões de exemplares. Hoje esse número diminuiu para 49 milhões. A consequência é que os jornais impressos estão acabando. O diário Seattle Post-Intelligencer fecha as portas após 146 anos em circulação. Outros títulos já encerraram atividades, como The Rocky Mountain News e The Tucson Citizen. Economistas afirmam que é apenas “questão de tempo” para que grandes cidades americanas percam seus principais jornais.

A Tribune Company, responsável pelos títulos The Chicago Tribune, The Los Angeles Times, entre outros, entrou em falência em dezembro de 2008. De julho a setembro do mesmo ano, a queda do lucro operacional foi de 83%. A dívida é de US$ 12 bilhões, sem contar os juros.

Nos últimos dois anos, as receitas publicitárias de jornais dos Estados Unidos caíram 23%, de acordo com estudo publicado pelo Centro pela Excelência no Jornalismo. Foram 14% só no ano passado.  A pesquisa também mostra que desde 2001, quase um terço dos postos de trabalho da imprensa foram extintos. O resultado: jornais com menos páginas, menos artigos e eliminação de seções inteiras.

Um dos motivos da crise da imprensa, que antecede a crise mundial, foi o advento da internet na década de 1990. A procura pelo jornal impresso diminuiu, desacelerando sua circulação. Hoje, os jornais online são lidos por 75 milhões de americanos, registrando 3,7 bilhões de páginas visitadas em janeiro de 2009, de acordo com o Nielsen Online. No entanto, as empresas de comunicação ainda não sabem como gerar receita através da publicidade de seus sites que seja suficiente para sustentar a versão impressa.

Uma das alternativas é manter apenas os sites funcionando, acabando de vez com a versão impressa, mas com o conteúdo fechado, como era no início da internet. Hoje a maioria dos sites tem o conteúdo 100% aberto. Bill Keller, diretor executivo do The New York Times, não descarta a hipótese de voltar a cobrar o acesso. Ele defende que o faturamento do online somado ao do impresso não são suficientes para sustentar as duas versões. Desse modo, se os leitores quiserem continuar lendo notícias com a credibilidade do jornal que sempre leram, vão querer pagar um dólar mensal para acessar o conteúdo online. Com isso, o jornal faturaria US$ 240 milhões por ano, gerando lucro de US$ 40 milhões. Steve Brill, criador da CourtTV acredita que o modelo atual já não está funcionando, portanto toda tentativa é válida, e deve ser feita de modo gradual.


TV aberta, TV a cabo e MTV: a música está sempre presente na programação, e tem para todos os gostos!

Tudo começou com os festivais de MPB. A extinta TV Excelsior foi a pioneira, exibindo o 1º Festival da Música Popular Brasileira em 1965. Foi um sucesso. Depois, outras emissoras como a TV Record e a TV Globo promoveriam seus eventos musicais, que revelaram gente importante para a nossa música, como Chico Buarque, Gilberto Gil, Elis Regina e Nara Leão, para citar alguns. Entre 1960 e 1980, esses programas fizeram muito sucesso, provando que música e televisão sempre estiveram ligadas intimamente. Hoje, não há mais festivais. Mas a música continua presente na telinha de diversas formas. Confira destaques musicais da programação de alguns canais brasileiros.

TEM ATÉ MÚSICA CLÁSSICA Na TV aberta, os programas sobre música são variados. Só na TV Cultura, tem programa sobre MPB, samba, bossa-nova e até música clássica. O tradicional “Viola, minha Viola”, é um dos mais antigos programas no ar pela televisão brasileira. Apresentado por Inezita Barroso, cantora de samba de raiz, ele propõe apresentar as diversas vertentes da música caipira brasileira.

Revelar jovens talentos da música clássica em um grande show de calouros. Essa é a proposta de “Prelúdio”, que já está na sua quarta edição. Apresentado por Estela Ribeiro, o programa em onze etapas: oito eliminatórias, duas semifinais e a grande final. A regência é do Maestro Júlio Medaglia, idealizador e diretor artístico do programa. Em 7 de dezembro de 2008 será apresentada a grande final, que será transmitida ao vivo pelo canal, direto da Sala São Paulo.

Na TV Bandeirantes, o destaque fica por conta do clássico “Programa Raul Gil”, que revela talentos de diversos estilos musicais de todo o Brasil. Também há espaço para jovens e crianças, como a cantora mirim Maísa, que hoje é apresentadora no SBT. Edson & Hudson e Gian & Giovani foram descobertos graças ao programa. No mesmo canal, o programa “Terra Nativa” traz tudo o que está rolando no mundo sertanejo. Apresentado pela dupla goiana Guilherme & Santiago, traz informações sobre shows, rodeios e festas de peão. O quadro “Porteira da Fama” revela novos talentos.

TV A CABO O canal Multishow, da Globosat, tem vasta programação musical, já que seu público-alvo é composto de jovens de 18 a 34 anos. O “Top TVZ” traz os clipes mais recentes do mundo pop e rock. O “Multishow Music Live” traz apresentações ao vivo de artistas internacionais como Jay-Z, Bon Jovi, Mariah Carey, além de televisionar eventos como o Peace One Day e o Festival Coachella. Apresentado por Beto Lee (filho de Rita Lee) o especial “Que Rock é Esse” mostra a história do rock internacional através dos movimentos ou bandas que marcaram o gênero.

MTV Mas não dá para falar de televisão e música sem citar a MTV, a Music Television. Em 1980, surgiu a MTV americana, cuja maior contribuição para o mundo da música foi o videoclipe. A partir de então, os artistas, ao lançarem um álbum, também passaram a lançar o videoclipe de suas músicas. Ela surgiu como uma alternativa para o jovem, que na época não tinha nenhum produto de consumo destinado a ele. Ela entendeu seus anseios, medos e vontades e aprendeu a se comunicar com o jovem de maneira nunca vista. Em 1990, a MTV Brasil começa a ser transmitida em São Paulo. Sua sede é no mesmo prédio onde antes funcionava a TV Tupi, no bairro do Sumaré, São Paulo. No começo, era voltado para o público do pop e do rock. O canal passou por diversas mudanças. Abriu-se para novos tipos de música. A palavra-chave da MTV é diversidade. O extinto programa Yo! MTV Raps, apresentado pelo DJ Thaíde, trazia tudo sobre o mundo do hip hop e do rap brasileiros.

De acordo com Zico Góes, diretor de programação da emissora, “Não se faz MTV como se faz aqui no Brasil, com tanta diversidade musical e de assuntos e de pessoas. O espectador brasileiro está mais aberto a novidades do que em outros lugares”. A programação musical da MTV tem de tudo: pop, rock, samba, hip hop, MPB e tudo o mais que o jovem quiser assistir. No “Top 10”, são exibidos os clipes do momento. O “Domínio MTV” é mais voltado para o rock alternativo. No “Top 10”, a cada semana um tema e os clipes referentes a ele. Esses programas são apresentados por VJs, os apresentadores da MTV, e têm interação da audiência através do telefone ou e-mail. Por fim, o “MTV Lab” traz os melhores clipes, sem interrupções, separados por temas: Rádio, Clássicos, Now e Cult Trash.

Além disso, a MTV promove, em parceria com a Coca-Cola, o “Estúdio Coca-Cola”, que coloca dois artistas de estilos diferentes para tocarem juntos, como Fresno (rock) e Chitãozinho e Xororó (sertanejo). O Video Music Brasil é a grande premiação do canal, que a todo ano premia artistas em variadas categorias (Revelação, Melhor Clipe do Ano, entre outros), onde o público vota e escolhe seus favoritos. Há também programas de comportamento, estilo, humor e variedades.

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A MTV TAMBÉM SABE FALAR SÉRIO
O MTV Debate, apresentado pelo músico Lobão, propõe a discussão de temas atuais, que estão rolando na mídia. Outra iniciativa do canal é a MTV Pública. Apresentados durante o intervalo, são pequenos programas que tentam abrir a cabeça do jovem para temas como política, economia e sustentabilidade. A MTV sabe que tem um dever social e como sabe falar para o jovem. Já influenciou toda uma geração de adolescentes e jovens adultos. Suas campanhas para o uso da camisinha fogem do padrão quadradinho apresentado em outras emissoras. Além disso, em 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à AIDS, ela oferece uma programação especial sobre o tema. Ou seja: a diversidade está presente de vários modos na emissora. Tanto na programação musical como nos temas que faz questão de abordar. É por isso que a MTV é referência para canais que falam com o jovem, e até hoje é a maior emissora para esse público.


Resolvi me desafiar nesse ping pong, e falar sobre um assunto que muita gente desconhece: física. Mais especificamente, falei sobre o LHC, o Grande Colisor de Hádrons, que pretende desvendar vários mistérios da área da física de partículas. Comecei a entrevista com o Roberto Ribas, do Instituto de Física da USP, mas ele percebeu que a entrevista ia render mais se eu entrevistasse o Marcelo Munhoz, que está envolvido com o Alice, um dos projetos do LHC. Confira o resultado abaixo.

“Seria interessante que o governo e as instituições incentivassem a pesquisa.”

Por Thais Aux

Marcelo Gameiro Munhoz é professor e pesquisador do Departamento de Física Nuclear do Instituto de Física da Universidade de São Paulo. Atualmente está trabalhando no experimento Alice, do Grande Colisor de Hádrons construído na Suíça pelo Cern (Centro Europeu de Pesquisas Nucleares). Hádron é qualquer partícula que compõe o átomo, como o próton, o nêutron, o elétron e todas as subpartículas que as compõem, como o quark. Um acelerador de partículas tem como objetivo colidir hádrons para explicar questões ainda não respondidas pela ciência. O que houve imediatamente depois do Big Bang? Por que o universo é feito de matéria, e não de anti-matéria? Marcelo explicou como o LHC (Large Hadron Collider) vai responder a algumas dessas perguntas, ressaltou a importância de se investir em pesquisa no Brasil e afirmou que é muito pouco provável que os buracos negros gerados pelo acelerador engulam a Terra.

Que tipos de cientistas estão envolvidos no Grande Colisor de Hádrons? De quais países? Há brasileiros envolvidos?
Há algo em torno de 10 mil pessoas envolvidas, entre engenheiros, técnicos e físicos. São quatro grandes experimentos. O maior experimento, o Atlas, tem por volta de 3 mil físicos envolvidos. O CMS tem algo em torno de 2 mil, o LHCd, que é um pouco menor, em torno de 600, 700 pessoas e o Alice, o qual nosso grupo da USP está envolvido, tem em torno de mil físicos. Então, só de físicos tem pouco mais de 6 mil. Mais todo o pessoal técnico, porque esse acelerador envolve uma tecnologia muito grande, bastante desenvolvida.

Como funciona o acelerador em si?
Nas cavidades ressonantes do acelerador, será criada uma onda eletromagnética que vai impulsionar as partículas carregadas eletricamente. E tem os pólos, que são ímãs. O acelerador é circular, então você precisa de um ímã para fazer as partículas terem essa trajetória circular, senão ela sai pela tangente. Esses pólos magnéticos precisam ser supercondutores, porque precisam produzir uma intensidade de campo magnético muito alta, e para isso é necessária uma corrente elétrica muito alta. E corrente elétrica passando em qualquer material esquenta, então ele precisa ser supercondutor, para facilitar a passagem da corrente elétrica e não esquentar.  Para ser supercondutor, ele precisa estar em uma temperatura baixa. A temperatura que esses ímãs vão funcionar é de 1.9 Kelvin. Kelvin é a temperatura absoluta, é -270 graus centígrados, e é de longe a temperatura mais fria que o homem já produziu. E o campo magnético também é muito intenso, o maior que o homem já produziu. Tem uma série de avanços tecnológicos que envolvem essa multidão de engenheiros e técnicos para fazer a coisa funcionar.

Você disse que aqui vocês estão envolvidos com o Alice. Fale-me mais sobre ele, o que você fazem exatamente?
Cada experimento do Grande Colisor de Hádrons  tem um foco diferente. No caso do Alice, é o único dos quatro cujo foco é o estudo de colisões entre núcleos de chumbo. O principal objetivo de estudar essas colisões é estudar o chamado “plasma de quarks e glúons”. Um próton que compõe os núcleos atômicos não é uma partícula elementar. Ele é formado por uma partícula mais elementar chamado quark, e esses quarks ficam unidos dentro do próton através desse glúon, da palavra em inglês glue, que significa cola. O glúon mantém os quarks grudadinhos ali. Na verdade a gente acredita que eles existam, existem muitas evidências indiretas da existência dele, mas ele nunca foi observado. Nunca se observou um quark livre. A teoria prevê que, se você pegar um monte de prótons e aquecer bastante ou comprimir bastante esse sistema, você quebra essa identidade do próton e você tem uma sopa de quarks e glúons, como se estivesse num estado livre. A idéia é formar esse estado e verificar como ele se comporta. A questão é: a gente consegue realmente deixar os quarks e glúons nesse estado livre? Como ele se comporta? Como é a força entre eles? Se é conforme a teoria prevê ou não, se tem alguma surpresa, alguma coisa diferente. O foco da pesquisa é esse. A teoria do Big Bang prevê que no início da existência do universo, nos primeiros milisegundos, você teria esse plasma, então você entender esse plasma também te leva a compreender a origem do universo, e se a maneira como a gente vê a origem do universo está correta ou não.

Você está falando de matéria. E a antimatéria? Ela existe mesmo? Que forma ela toma?
A antimatéria a gente já sabe que existe. A gente mede o tempo todo, antipróton, antielétron, tem até aceleradores que colidem próton e antipróton, elétron e antielétron, então isso é não é problema. O mistério que existe na natureza é: porque o universo conhecido é composto só de matéria e não de antimatéria? Por que não existe um planeta feito de antimatéria, uma estrela feita de antimatéria? Essa problemática é o enfoque de um dos experimentos do Grande Colisor de Hádrons, que é o LHCb. O enfoque desse experimento é estudar um fenômeno chamado de violação carga-paridade. Se eu tenho uma coisa carregada positivamente e outra carregada negativamente, isso deveria não fazer diferença, mas faz, em certos fenômenos. Então, acredita-se que essa violação de simetria esteja relacionada com a assimetria de antimatéria, porque o universo tem mais matéria do que antimatéria. Esse experimento pretende estudar esse tipo de fenômeno.

Como colidir partículas tão pequenas, menores que os núcleos dos átomos, vai ajudar a explicar coisas do macro, coisas do Big Bang?
Uma das maneiras é o plasma. Outra coisa é a questão da matéria escura. Aí começam as especulações. O que seria essa matéria escura, do que ela seria composta? Uma das hipóteses é algum tipo de partícula que a gente não conhece e que eventualmente a gente possa produzir nesse acelerador. O grande barato do LHC é que vamos estar explorando uma física que a gente nunca viu antes. Vamos estar em uma escala de energia que nunca observamos ou pesquisamos. Não sabemos o que pode acontecer. Podem surgir fenômenos que não esperávamos que acontecesse. Tem inúmeros exemplos disso na história da ciência, se você olha pra uma coisa nova, você vê coisas que você não esperava. Senão não teria graça!

Você está falando que tudo pode acontecer. Existe a possibilidade de se formar buracos negros? Isso apresenta algum perigo para nós?
De fato, a formação de buracos negros é uma linha de pesquisa que está sendo estudada no LHC, e tem um monte de físicos teóricos fazendo cálculos pra estudar isso. Então, de fato, existe a possibilidade de se formar [buracos negros], mas não oferece perigo nenhum, porque vão ser objetos extremamente pequenos, que vão “evaporar” instantaneamente. A maneira de se detectar se um buraco negro se formou ou não é extremamente indireta, apenas se sobrar algum resíduo. De tudo que se conhece sobre buracos negros, ele vai evaporar instantaneamente. É lógico que você pode até perguntar: será que conhecemos toda a teoria? A resposta mais contundente para essa pergunta, se há riscos ou não, é a gente olhar para a própria natureza. Existem físicos estudando os raios cósmicos, eles medem raios cósmicos, mil, dez mil, cem mil vezes mais energéticos do que essas partículas que estamos colidindo. E esses raios cósmicos colidem o tempo todo com a atmosfera da Terra, com a superfície da Lua e com os corpos celestes. E nunca vimos um buraco negro sendo formado. Então, se em bilhões e bilhões de anos de existência do universo, a atmosfera da Terra foi bombardeada com raios cósmicos e nunca se formou um buraco negro, não tem porque achar que vai se formar um agora.

Você acha que o Brasil poderia produzir algum tipo de acelerador? O Brasil investe o suficiente em ciência?
Fazer um acelerador como o LHC, nenhum país isolado tem condições. Ele custou algo em torno de 8 bilhões de euros, então nem mesmo os Estados Unidos poderiam construir. O acelerador em si é um consórcio europeu, então a maioria dos países europeus contribuiu, além da contribuição de países observadores, como Japão e Estados Unidos. É um projeto internacional, que um país sozinho não tem condição de fazer, muito menos o Brasil. Mas aceleradores de pequeno porte existem no Brasil, como é o caso do Péletron. O Péletron é um acelerador de núcleos de íons, de baixa energia. O interessante é que um acelerador tem atrelado a ele uma série de tecnologias que são importantes para o país. Então se deve investir, senão pelo conhecimento em si, pelo menos tendo em mente esses “efeitos colaterais”. Existem muitas tecnologias desenvolvidas com a construção e a operação de um acelerador que são estratégicas e únicas. Um exemplo: o Péletron desenvolveu a tecnologia de vácuo. Para se criar um vácuo, é necessária uma posição muito baixa para transmitir essas partículas. E aqui no Brasil isso começou no Péletron. Hoje existe um curso que é oferecido para pessoas de indústrias. É uma tecnologia que acaba sendo desenvolvida, motivada por essas pesquisas, que bem manipuladas e bem gerenciadas, podem ter aplicação no setor produtivo do país e gerar riquezas. Um acelerador como o LHC, não temos condição de produzir. Mas aceleradores menores, que utilizam tecnologias equivalentes, temos condições e devemos investir.

As pessoas que trabalham nos aceleradores daqui são brasileiras, certo? Existem muitos cientistas no Brasil? Nós só ouvimos falar dos prêmios Nobel.
Sim, só no Péletron são 30 professores pesquisadores, mais dezenas de alunos de pós-graduação. E tem grupos fora da USP que trabalham com isso. É óbvio que tem que ter espaço pra expandir. Seria interessante que nossos alunos do doutorado tivessem espaço em outros centros de pesquisa. Seria interessante que, de alguma maneira, isso fosse incentivado, que eles tivessem condições de entrar em uma faculdade particular e fazer suas pesquisas, uma parte do salário ser dedicada a isso, à hora de pesquisa. Mas, infelizmente, a maioria das universidades particulares contratam por hora. Se ele quiser ter um salário razoável ele não tem tempo de se dedicar à pesquisa. Seria interessante que o governo e as instituições de alguma maneira incentivassem isso. A absorção desse material humano que a gente está formando e às vezes acaba indo para uma área diferente porque não tem espaço para desenvolver o que ele aprendeu aqui. Então é uma tecnologia importante, é uma tecnologia estratégica e deveriam existir incentivos para que as pessoas continuassem desenvolvendo isso nas suas carreiras.

Voltando pro LHC. Quando ele começou a ser construído?
Ele foi concebido na década de 1980 e aprovado na década de 1990. Começou a ser construído na metade da década de 1990.

E demorou quanto tempo? Ele já está pronto?
Praticamente. As primeiras colisões ainda não ocorreram, mas ele já tem dois terços dos ímãs em temperatura de operação. Então entre julho e agosto já devem ter as primeiras colisões.

E ele vai operar durante quanto tempo?
A idéia é ele ficar o ano todo rodando.

Quando vão sair os primeiros resultados?
A princípio, existem planos para que uma semana depois da primeira colisão já tenham artigos submetidos. O pessoal quer mostrar bastante eficiência. É o chamado first physics. É uma física bem básica. Contar quantas partículas são produzidas quando você colide um próton e outro a 14 TeVs (tera-eletronvolts), uma energia bastante alta.

Algum desses projetos vai ajudar a responder a teoria das cordas?
Eu acredito que sim. Existe uma linha de pesquisa chamada “além do Modelo Padrão”. O Modelo Padrão é a teoria básica que explica a natureza das partículas elementares. Existem muitos físicos na linha de pesquisa “além do Modelo Padrão”, que vão estudar fenômenos que se manifestam devido a propriedades da natureza que não são explicadas pelo Modelo Padrão, e sim por teorias como a das cordas. A idéia é caminhar nessa direção.


Essa foi minha segunda reportagem para a faculdade, também para revista, porém a editoria dessa vez era Artes e Espetáculos. Decidi falar sobre os 100 anos da Imigração Japonesa, mais especificamente da exposição Tokiogaqui, que aconteceu no Sesc Paulista. O resultado você confere abaixo.

O Japão é aqui

Exposição comemora o Centenário da Imigração Japonesa

“A exposição Tokiogaqui é uma mostra de sensações”. Quem afirma é a orientadora de público Tábata Martins. A palavra é um trocadilho. Em japonês, “ga” significa “imagem”. É o que pretende a exposição: mostrar através de imagens que Tóquio, a capital do Japão, está mais presente aqui no Brasil do que se pensa. No prédio alto do Sesc Paulista, a mostra se expandia por dois andares. Até os elevadores estavam decorados com temática nipônica. Diversos shows, peças e performances também celebraram o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Em 18 de Junho de 1908, o barco Kasato Maru chegou ao Porto de Santos, trazendo 165 famílias que vinham trabalhar nas plantações de café do estado de São Paulo. Esse acontecimento mudou não apenas a vida desses japoneses, mas também a nossa vida, já que as culturas dos dois povos foram enriquecidas. “A idéia é mostrar duas faces do Japão pós-guerra”, explica Ricardo Muniz Fernandes, curador da exposição. No 9º andar, uma homenagem a Kazuo Ohno, dançarino de butô, hoje com 101 anos de idade, coincidindo com o centenário. No 5º andar, tudo o que há de mais pop no Japão do século XXI, como animê e mangá. Essas duas faces mostram que o Japão é mesmo uma terra de contrastes, além provar que o país tem mais coisas em comum com nossa cultura do que imaginamos. A cantora japonesa Tigarah confirmou essa constatação. Fechando o ciclo de apresentações, ela animou todos com sua música, com batidas de funk carioca e letras em japonês. A exposição já acabou, mas não se desespere: confira no box dicas de mais exposições que estão rolando em São Paulo sobre o Centenário.

DANÇA DAS EXPRESSÕES SOMBRIAS “Os curadores têm uma admiração especial por ele”, relata Isadora Greiner, monitora da exposição. Ela se refere ao dançarino Kazuo Ohno. Ao descer do elevador, percebia-se o clima tenso. Luz baixa, chão preto e irregular. Silêncio. Um telão projetava vídeos da carreira do artista. Um pequeno espaço representava o quarto de Kazuo. “É um paralelo entre o interior da casa e da alma do bailarino”, diz Ricardo Muniz. Em meio a vestidos e chapéus, viam-se na parede e no chão frases de sua autoria e pôsteres dos seus espetáculos. O butô foi criado por Tatsumi Hijikata, e significa “Dança das Expressões Sombrias”. Kazuo começou a dançar em 1949, e fez sucesso com espetáculos como Admiring La Argentina, dedicado à espanhola Antonia Mercé, dançarina de flamenco. Ele ganhou o Dance Critic’s Circle Award por essa performance. Outros espetáculos seus são My Mother, Dead Sea e Water Lilies. Seu estilo de dançar era único. Quando viajou pelo mundo, reuniu diversos interessados em aprender a arte do butô. Em 1980, apresentou-se na França, causando grande impacto. Quando perdeu a habilidade para dançar em 2001, devido à idade avançada, criou um tipo diferente de arte performática, movendo apenas as mãos. Hoje ele se encontra sob cuidados médicos em sua casa, no Japão. Uma de suas frases traduz  a dança do butô: “Os homens vivem com a consciência de que morrerão, no entanto esperam ter uma vida eterna. A eternidade é um dos argumentos principais do butô. Ela cabe no instante, e esta consciência serve para ultrapassar as barreiras do corpo. A morte é inevitável, não podemos viver sem olhá-la. Não podemos fechar os olhos, mas podemos torná-la alegre.

ESQUINAS DE TÓQUIO Quatro andares abaixo, a música era alta, com batidas dançantes e fortes, e quando o elevador abria as portas, os olhos ofuscam com a quantidade de rosa nas paredes. E azul. E amarelo. E todas as cores possíveis. Na entrada, o cartaz dizia: “São Paulo e Tóquio se confundem”. Nada mais verdadeiro. Jovens divertiam-se nas máquinas de pump. É como se fosse um videogame, mas ao invés de jogar, deve-se pisar na setas que aparecem na tela, criando passos de dança. Um concurso de animekê (um karaokê só com músicas de animê, como são chamados os desenhos animados japoneses) fazia a galera torcer e cantar junto. O que mais se via por lá eram os otakus. No Japão, essa palavra significa “fanático”. Aqui ela é usada para identificar as pessoas que são loucas pela cultura japonesa pop, como mangá, animê, J-Rock e J-Pop (estilos musicais japoneses). “Quero fazer faculdade de moda no Japão, porque a moda daqui não tem graça. Convivo com a cultura japonesa desde pequena. Sempre adorei Digimon e adoro cantar em animeke, além de dançar na pump”, conta animada Mayara Honey, estudante de 16 anos. O tapa-tapa também fez sucesso. Na tela que ia do chão ao teto, um vídeo mostrava garotas ensinando passos de dança, mexendo mais as mãos do que os pés. Do lado de fora, as pessoas imitavam o vídeo, montando uma coreografia tipicamente nipônica. Videogames foram estrategicamente colocados para entreter as crianças, que podiam escolher entre o Playstation ou Nintendo Wii, e uma estante estava cheia de mangás, os quadrinhos japoneses lidos de trás para frente, para quem quisesse ler.

JAPA GIRL O último dia da mostra ainda guardava uma surpresa. Às 8 e meia da noite, a cantora japonesa Tigarah animou pessoas de todas as idades (desde crianças a senhores quarentões) com sua música, que mistura elementos eletrônicos com funk carioca. As letras são em japonês. Apesar de ser formada em Ciências Políticas na Keio University, em Tóquio, ela preferiu fazer carreira na música. Através de amigos brasileiros que moravam no Japão, conheceu o funk e se apaixonou. Visitou nossa terrinha algumas vezes, e junto com Mr. D, um DJ suíço, criaram algumas faixas e o resto é história. Suas letras demonstram personalidade forte e sensualidade, como no trecho da canção Japanese Queen: “Sou uma rainha japonesa/talvez você consiga ficar comigo/se tudo der certo/você vai ver do que eu sou capaz”. A jovem contagiou todos com sua simpatia. Em dado momento do show, a funkeira carioca Deize Tigrona subiu no palco e improvisou algumas músicas com a musa nipônica. A galera vibrou, prova de que a distância entre as nossas culturas é mínima, para não dizer quase imperceptível. O fato de uma cantora japonesa cantar o Créu e ser aplaudida por jovens da classe média (que torcem o nariz para o estilo) mostra que o jovem está mais do que preparado para absorver qualquer tipo de cultura. “A música dela é universal. Não é só funk, é uma electronic music global. A música boa ultrapassa a barreira do idioma”, explica João Elias de Brito, publicitário e fã incondicional. É a prova de que a fusão de culturas está cada vez mais efervescente. Bom para todos nós.

TEM MAIS CULTURA JAPONESA EM SAMPA

Se você perdeu a exposição Tokiogaqui, não desanime. A cidade abriga outras mostras sobre a terra do sol nascente. Confira:

Quando vidas se tornam forma: um diálogo com o futuro – Brasil-Japão
O MAM abriga essa exposição com obras de 38 artistas (21 brasileiros e 18 japoneses), nas áreas de arte, arquitetura, moda e design. Tem Hélio Oiticica, Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa, entre outros. Destaque para A Casa de Vidro de Lina Bo Bardi.
Serviço: MAM – Parque do Ibirapuera. Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3 – São Paulo. Até 22 de junho. De 3ª a domingo, das 10h às 18h. Preço: R$ 5,50.

O Florescer das Cores: A Arte do período Edo
Essa exposição ficará na Pinacoteca até 22 de junho e traz peças de museus japoneses. São obras do Perído Edo (1603- 1867), quando o xogunato Tokugawa reinava, lavando ao isolamento quase completo do Japão em relação ao resto do mundo.
Serviço: Pinacoteca do Estado de São Paulo. Praça da Luz, 2 – Luz – São Paulo. Até 22 de junho. De 3ª a domingo, das 10h às 18h. Preço: R$ 4 e R$ 2 (meia). Grátis aos sábados.

Honkyoku
Todos os últimos sábados do mês, até novembro, Danilo Tomic apresenta a série completa “Honkyoku”. São 36 peças clássicas para flauta de bambu, o shakuhachi, que surgiu nos templos da seita zen-budista Fuke. O “Honkyoku” nasceu da iniciativa de um monge que, há cerca de 500 anos, percorreu o Japão coletando as melodias ensinadas nos templos.
Serviço: Pavilhão Japonês – Parque Ibirapuera (perto do portão 10). Av. Pedro Álvares Cabral, s/n, – São Paulo. Até 29 de novembro, às 16h. Preço: R$ 3 (adulto) e R$ 2 (crianças até 12 anos e estudantes).


Nessa categoria, vou colocar os trabalhos da faculdade que não foram publicados. Nessa matéria de Cidades, o tema era ciclovias e a mídia era revista. Tirei 1,5 (valia 2,0), uma das notas mais altas da classe. Leia o texto a seguir.

Sobre duas rodas

Apesar do sistema cicloviário precário, grupos de ciclistas dominam a noite de São Paulo

Um grupo de vários ciclistas percorre a Avenida Paulista, contrastando com o trânsito carregado. A cena é atípica. A circulação de carros na cidade é tamanha que só nos últimos meses o recorde de trânsito foi quebrado diversas vezes. São 6 milhões de veículos, com médias de congestionamento de 180 km. As viagens dentro da cidade são divididas assim: um terço da população usa transporte coletivo, um terço usa transporte individual (táxi, carros e motos particulares) e outro terço anda a pé ou de bicicleta – é a categoria dos veículos não-motorizados. Traduzindo em números: a cidade de São Paulo tem 20 milhões de habitantes, e a última Pesquisa Origem/Destino realizada pelo Metrô em 2002 aponta que apenas 300 mil deles usam a bicicleta diariamente, seja como meio de transporte ou como lazer. Enquanto o transporte coletivo é administrado pela SPTrans, CPTM, EMTU e pelo Metrô, e o transporte individual conta com a fiscalização da CET, os ciclistas não têm nenhum órgão que apóie o uso da bicicleta como meio de transporte. Na maioria das vezes, ela é usada como atividade de lazer em parques. “Há várias razões para que as pessoas não usem a bicicleta como meio de transporte, a principal das quais, é cultural: a bicicleta foi estigmatizada, em anos mais recentes, como objeto de lazer. Circulação ‘a sério’ é coisa de veículo motorizado”. Quem dá a informação é Laura Ceneviva, Coordenadora do Projeto Pró-Ciclista, da Prefeitura de São Paulo. Mas existem outros motivos pelos quais o paulistano prefere deixar a magrela na garagem.

Ao redor do mundo Para começar, existem pouquíssimas ciclovias em São Paulo, e elas não são interligadas. São apenas 40 km de malha cicloviária. A maior é a do Parque do Carmo, com 8,2 km. Ainda neste ano será inaugurada a ciclovia da Avenida Radial Leste, entre as estações de Metrô Itaquera e Tatuapé, que terá 12 km. Outros projetos estão em andamento na Avenida Inajar de Souza, Parelheiros, Ermelino Matarazzo, Butantã, Marginal Pinheiros, Campo Limpo, entre outros. Os bicicletários são localizados em terminais de transporte coletivo de ônibus, trem e metrô. Dessa forma, é possível utilizar a bicicleta como meio complementar, já que ela tem alcance médio de 6 km. Mas ainda é pouco. Em Paris foi implantado o Vélib, sistema público que opera 24 horas por dia, sete dias por semana e que disponibiliza bikes ao lado de estações de ônibus e de metrô. Pagando 1 euro é possível usar a bicicleta por meia hora. Na Alemanha, são mais de 4 mil quilômetros de vias exclusivas para bicicletas e cerca de 74 milhões de bikes para quase 83 milhões de habitantes. Em Amsterdã, a capital mundial das bicicletas, 40% dos deslocamentos são feitos através delas, em 400 km de ciclovias. Na Bogotá colombiana, as “ciclorutas” são as ciclovias de 300 km de extensão são equipadas com bicicletários. Há exemplos de sucesso até mesmo dentro do Brasil: no Rio de Janeiro e em Curitiba há pelo menos 150 km de ciclovias, e em Porto Alegre há até ônibus equipados com suporte para transportar bicicletas na parte dianteira.

A criação da Lei nº 14.266, que deve implementar o Sistema Cicloviário do Município de São Paulo através da Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura, mostra que o assunto já toma proporções grandes o suficientes para serem tratadas com seriedade pelo governo. Mas ainda há muitas barreiras a serem quebradas. A construção de ciclovias e bicicletários é apenas a primeira fase do projeto. É importante entender que os motoristas de carros, em sua maioria, vêem os usuários de veículos de duas rodas como obstáculos. A lei está do lado deles, pois eles têm preferência nas vias públicas onde não há ciclovias. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, artigo 58: “Nas vias urbanas e nas rurais de pista dupla, a circulação de bicicletas deverá ocorrer, quando não houver ciclovia, ciclofaixa, ou acostamento, ou quando não for possível a utilização destes, nos bordos da pista de rolamento, no mesmo sentido de circulação regulamentado para a via, com preferência sobre os veículos automotores. A autoridade de trânsito com circunscrição sobre a via poderá autorizar a circulação de bicicletas no sentido contrário ao fluxo dos veículos automotores, desde que dotado o trecho com ciclofaixa.” Laura, do Projeto Pró-Ciclista, acredita que, com a construção de ciclovias, as pessoas tenderão a andar mais de bicicleta, incorporando-se à cultura de trânsito. Dessa forma, a convivência entre eles será melhorada naturalmente.

Soluções alternativas Diante do descaso em não adotar políticas de melhoria do trânsito caótico urbano, dois grupos se destacam na tentativa de incentivarem o uso de transporte alternativo. Os Night Bikers estão nas ruas desde os anos 80 e percorrem 35 km a cada encontro semanal, sempre em bairros sossegados como Jardins, Aclimação, Itaim, entre outros. A idéia surgiu de um grupo de ciclistas noturnos liderados por Renata Falzoni. O capacete é sempre obrigatório e deve-se respeitar o guia-líder. Para ela, o primeiro passo para começar a pedalar é “tirar a bicicleta da garagem, dar um trato e deixá-la na sala. Toda a vez que for sair de casa, pergunte-se se não seria o caso de ir de bicicleta em vez de carro”. Outra iniciativa de destaque é o Passeio de Massa Crítica. O nome é uma referência a várias teorias sociais que sugerem que uma revolução pode ser alcançada depois que uma certa massa crítica de apoio popular é demonstrada. Ele ocorre em diversas cidades ao redor do mundo e em São Paulo ganhou o nome de Bicicletada. “Um dos objetivos é pedalar junto com os carros no momento de maior trânsito, para mostrar que existe uma opção ao carro como meio de transporte”, relata André Pasqualini, um dos participantes do movimento. São em média 150 pessoas em veículos não-motorizados, incluindo bicicleta, skate ou a pé. O trajeto é definido na hora. Para participar, a única obrigatoriedade é comparecer ao ponto de encontro. O atrativo é que pessoas sem experiência podem participar, já que eles percorrem em média 20 km. O ritmo do passeio é lento, portanto é comum encontrar crianças e mulheres. Agora, só falta tirar a bike da garagem e começar a pedalar.

Dicas para quem quer adquirir uma bicicleta ou tirar a magrela da garagem:

•    Bicicleta ideal
De pé, coloque a bike entre as suas pernas. A distância do tubo superior da bike deve ficar a quatro dedos do seu cavalo. Ao sentar na bike, seus braços devem ficar semi-flexionados.

•    Benefícios para a saúde
1.    Emagrece – Uma mulher de 60 kg perde cerca de 400 calorias por hora
2.    Aumenta o fôlego – Os músculos pedem por oxigênio, que é o catalisador que transforma a glicose em energia. Dessa forma os pulmões são obrigados a trabalhar mais rápido para garantir o suprimento dessa substância e a expulsão do gás carbônico.
3.    Deixa as coxas firmes – A musculatura dessa região é bem desenvolvida durante a pedalada. Como andar de bike queima o excesso de gordura, a definição das coxas e das panturrilhas fica evidente.
4.    Alivia o stress – Como qualquer outro exercício, pedalar estimula a produção de endorfina, que dá a sensação de bem-estar.
5.    Previne doenças – Os benefícios de praticar um esporte regularmente são muitos. Quem pedala mantém o organismo e fica resistente a várias doenças, como osteoporose e problemas cardíacos.

•    Night Bikers
Os encontros acontecem todas as terças-feiras, às 20h:45, na Rua Pacheco de Miranda, no Itaim. O uso do capacete é obrigatório. Site: www.nightbikers.com

•    Bicicletada

Toda última sexta-feira do mês. Concentração às 18:00, na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista. Saída para pedalada às 20:00. Só é necessário comparecer. Site: www.bicicletada.org


Meu primeiro ping pong! Entrevistei a banda Strike, responsável pelo tema de abertura da novela Malhação, em uma manhã ensolarada. Eles foram super legais comigo e me deram muitas informações. Pena que não coube nem metade na página simples! Clicando na imagem, dá pra ler a entrevista em PDF.