Matéria feita para a faculdade

Circulação diminui com o advento da internet. Verba publicitária não é suficiente para cobrir as dívidas.

Durante mais de dois séculos, os jornais impressos foram a principal fonte de informação da população. Há apenas duas décadas, a circulação de jornais nos Estados Unidos era de 62 milhões de exemplares. Hoje esse número diminuiu para 49 milhões. A consequência é que os jornais impressos estão acabando. O diário Seattle Post-Intelligencer fecha as portas após 146 anos em circulação. Outros títulos já encerraram atividades, como The Rocky Mountain News e The Tucson Citizen. Economistas afirmam que é apenas “questão de tempo” para que grandes cidades americanas percam seus principais jornais.

A Tribune Company, responsável pelos títulos The Chicago Tribune, The Los Angeles Times, entre outros, entrou em falência em dezembro de 2008. De julho a setembro do mesmo ano, a queda do lucro operacional foi de 83%. A dívida é de US$ 12 bilhões, sem contar os juros.

Nos últimos dois anos, as receitas publicitárias de jornais dos Estados Unidos caíram 23%, de acordo com estudo publicado pelo Centro pela Excelência no Jornalismo. Foram 14% só no ano passado.  A pesquisa também mostra que desde 2001, quase um terço dos postos de trabalho da imprensa foram extintos. O resultado: jornais com menos páginas, menos artigos e eliminação de seções inteiras.

Um dos motivos da crise da imprensa, que antecede a crise mundial, foi o advento da internet na década de 1990. A procura pelo jornal impresso diminuiu, desacelerando sua circulação. Hoje, os jornais online são lidos por 75 milhões de americanos, registrando 3,7 bilhões de páginas visitadas em janeiro de 2009, de acordo com o Nielsen Online. No entanto, as empresas de comunicação ainda não sabem como gerar receita através da publicidade de seus sites que seja suficiente para sustentar a versão impressa.

Uma das alternativas é manter apenas os sites funcionando, acabando de vez com a versão impressa, mas com o conteúdo fechado, como era no início da internet. Hoje a maioria dos sites tem o conteúdo 100% aberto. Bill Keller, diretor executivo do The New York Times, não descarta a hipótese de voltar a cobrar o acesso. Ele defende que o faturamento do online somado ao do impresso não são suficientes para sustentar as duas versões. Desse modo, se os leitores quiserem continuar lendo notícias com a credibilidade do jornal que sempre leram, vão querer pagar um dólar mensal para acessar o conteúdo online. Com isso, o jornal faturaria US$ 240 milhões por ano, gerando lucro de US$ 40 milhões. Steve Brill, criador da CourtTV acredita que o modelo atual já não está funcionando, portanto toda tentativa é válida, e deve ser feita de modo gradual.